Ouvi dizer que a juventude é frouxa e tímida. Ouvi dizer. E apetece-me reflectir um pouco sobre isto. Afinal será mesmo a juventude tímida e frouxa? E se assim for quais as causas dessa consequência?
Ser livre. Verdade proclamada todos os dias (ou não). Quando o desemprego jovem se cifra na casa dos 20 % e assistimos à partida da juventude formada para o exterior há algo nessa liberdade que falha. E ao mesmo tempo assistimos ao discurso de alguns iluminados que pretendem aumentar a idade da reforma. Pergunto: Porque não dar emprego aos mais jovens? Dito isto parece-me óbvio que não se pode apontar o dedo única e exclusivamente aos jovens pelo estado actual da coisa pública. Aliás basta olharmos para os iluminados do costume para sabermos que não se tratam de jovens. Mas ainda não discuti a afirmação inicial. Se a juventude é frouxa e tímida quais as razões disso?
Esta juventude foi e é educada numa sociedade que não foi estabelecida por eles, mas que lhes é dada como palco da vivência. E assim sendo esses que arvoram que a juventude anda cá a dormir pensem porque é que isso acontece. Queremos de facto jovens que pensem e ponham em questão o estado de coisas? Ou não perdemos a oportunidade de lhes apontar o dedo quando fazem algo e dizer que não percebem nada da vida, andam cá há pouco tempo e não têm experiência de vida? Afinal se os jovens são educados por modelos de gerações anteriores como podem apontar de uma forma tão simplista o olhar de culpa para os jovens, como se fossem eles a causa do catastrofismo presente? Se quiserem jovens não frouxos e não tímidos dêem-lhes o devido pão para a boca, a devida educação. Não os tratem como meras marionetas do palco da economia, onde só alguns se sentam à mesa.