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Knockin' On Heavens Door - The Bob Dylan SongBook - The Klone Orchestra

Cântico Negro




"Vem por aqui"- dizem-me alguns com olhos doces, Estendendo-me os braços, e seguros De que seria bom se eu os ouvisse Quando me dizem: "vem por aqui"! Eu olho-os com olhos lassos, (Há, nos meus olhos, ironias e cansaços) E cruzo os braços, E nunca vou por ali...

A minha glória é esta: Criar desumanidade! Não acompanhar ninguém. - Que eu vivo com o mesmo sem-vontade Com que rasguei o ventre a minha mãe.
Não, não vou por aí! Só vou por onde Me levam meus próprios passos...  
Se ao que busco saber nenhum de vós responde, Por que me repetis: "vem por aqui"? 
Prefiro escorregar nos becos lamacentos, Redemoinhar aos ventos, Como farrapos, arrastar os pés sangrentos, A ir por aí...  
Se vim ao mundo, foi Só para desflorar florestas virgens, E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada! O mais que faço não vale nada.  
Como, pois, sereis vós Que me dareis machados, ferramentas, e coragem Para eu derrubar os meus obstáculos?... Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós, E vós amais o que é fácil! Eu amo o Longe e a Miragem, Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura! 
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura, 
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...  
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém. Todos tiveram pai, todos tiveram mãe; Mas eu, que nunca principio nem acabo, Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo. 
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções! Ninguém me peça definições! Ninguém me diga: "vem por aqui"! A minha vida é um vendaval que se soltou. É uma onda que se alevantou. É um átomo a mais que se animou... Não sei por onde vou, Não sei para onde vou, - Sei que não vou por aí. José Régio

Jorge Palma - O Meu Amor Existe

Amor que morre



"O nosso amor morreu... Quem o diria!
Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta,
Ceguinha de te ver, sem ver a conta
Do tempo que passava, que fugia!

Bem estava a sentir que ele morria...
E outro clarão, ao longe, já desponta!
Um engano que morre... e logo aponta
A luz doutra miragem fugidia...

Eu bem sei, meu Amor, que pra viver
São precisos amores, pra morrer,
E são precisos sonhos para partir.

E bem sei, meu Amor, que era preciso
Fazer do amor que parte o claro riso
De outro amor impossível que há-de vir!"


 Florbela Espanca

Hit the road Jack!

Magnificat


"Quando é que passará esta noite interna, o universo,
E eu, a minha alma, terei o meu dia?
Quando é que despertarei de estar acordado?
Não sei. O sol brilha alto,
Impossível de fitar.
As estrelas pestanejam frio,
Impossíveis de contar.
O coração pulsa alheio,
Impossível de escutar.
Quando é que passará este drama sem teatro,
Ou este teatro sem drama,
E recolherei a casa?
Onde? Como? Quando?
Gato que me fitas com olhos de vida, que tens lá no fundo?
É esse! É esse!
Esse mandará como Josué para o sol e eu acordarei;
E então será dia.
Sorri, dormindo, minha alma!
Sorri, minha alma, será dia!"
Álvaro de Campos

José Afonso -- "Minha Mãe" do primeiro LP "Baladas e Cancões" com ed. (1...

"Há uma religião universal, feita para os Alquimistas do Espírito: uma religião que emana do homem, considerado como um sinal do divino."
Charles Baudelaire, in Meditações

The Rolling Stones - She's A Rainbow (Official Lyric Video)

The Rolling Stones - You Can't Always Get What You Want [Official]

Poema para o meu amor doente

"Hoje roubei todas as rosas dos jardins e cheguei ao pé de ti de mãos vazias."
Eugénio de Andrade, in As Mãos e os Frutos

Fernando Tordo - Adeus tristeza

"Não é natural que a vida me traga outro encontro com as emoções naturais. Quase desejo que apareça para ver como sinto dessa segunda vez, depois de ter atravessado toda uma extensa análise da primeira experiência. É possível que sinta menos; é também possível que sinta mais. Se o Destino o der, que o dê. Sobre as emoções tenho curiosidade. Sobre os factos, quaisquer que venham a ser, não tenho curiosidade alguma."
Bernardo Soares, in O Livro do Desassossego

Há uma música do povo - Mariza canta Fernando Pessoa

Vieira da Silva "Canto Povo Triste"



Quem sabe?
Da alma do povo!
Quem conhece?
A alma do povo!
Onde estas povo meu?
Porque te escondes!...

reconquistar o meu nada vazio

canto o povo triste
de quem sou
louco em cantar
para esquecer
os sonhos tidos
na manhã da vida
sol de madrugada
livre no morrer
canto a heroicidade
conformada
de quem chorando
se atreve a cantar
barco perdido
na prisão das ondas
as velas rasgadas
o leme a quebrar
canto a solidão
a ocidente
ligada à terra
que nos viu nascer
a covardia
feita de orações
na doce esperança
de poder morrer

canto o desespero
fatalista
de quem sofrendo
se deixa ficar
olhos cansados
enxada na mão
trabalhando a terra
que lhe vão roubar
canto o meu poema
de revolta
ao povo morto
que não quer gritar
que já são horas para ser feliz
que é chegado o dia do medo acabar.

DE QUE NADA SE SABE

" La luna ignora que es tranquila y clara
y ni siquiera sabe que es la luna;
la arena, que es la arena. No habrá una
cosa que sepa que su forma es rara.

 Las piezas de marfil son tan ajenas
al abstracto ajedrez como la mano
que las rige. Quizá el destino humano
de breves dichas y de largas penas

 es instrumento de otro. Lo ignoramos;
darle nombre de Dios no nos ayuda.
Vanos también son el temor, la duda

 y la trunca plegaria que iniciamos.
 ¿Qué arco habrá arrojado esta saeta
que soy? ¿Qué cumbre puede ser la meta?"

in La Rosa Profunda, Jorge Luis Borges


VAI QUE EU TE ESPERO

VAI QUE EU TE ESPERO
Vai que eu te espero, mas não demore,
O tempo passa ligeiro, não espera.
O amor quando verdadeiro não morre
E por ser fiel é um sentimento que persevera.

Irás me encontrar, ainda que de cabelos brancos,
Acreditando que um dia voltarias para mim,
Guardo por nosso amor todo o meu encanto.

Amor não demore muito, o tempo urge,
A vida embora nos dê escolha, passa ligeira,
Como a alvorada que no horizonte surge. 
  

Acerca

Triste de quem vive com os olhos fechados sem a ambição e a coragem de os tentar abrir. A procura da verdade só é possível se formos capazes de nos libertarmos de preconceitos. Preconceitos que nos cegam e nos tornam incapacitados, limitados ao ponto de não conseguirmos repensar nas opiniões que outrora recebemos através da crença.