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Há uma música do povo - Mariza canta Fernando Pessoa

Vieira da Silva "Canto Povo Triste"



Quem sabe?
Da alma do povo!
Quem conhece?
A alma do povo!
Onde estas povo meu?
Porque te escondes!...

reconquistar o meu nada vazio

canto o povo triste
de quem sou
louco em cantar
para esquecer
os sonhos tidos
na manhã da vida
sol de madrugada
livre no morrer
canto a heroicidade
conformada
de quem chorando
se atreve a cantar
barco perdido
na prisão das ondas
as velas rasgadas
o leme a quebrar
canto a solidão
a ocidente
ligada à terra
que nos viu nascer
a covardia
feita de orações
na doce esperança
de poder morrer

canto o desespero
fatalista
de quem sofrendo
se deixa ficar
olhos cansados
enxada na mão
trabalhando a terra
que lhe vão roubar
canto o meu poema
de revolta
ao povo morto
que não quer gritar
que já são horas para ser feliz
que é chegado o dia do medo acabar.

DE QUE NADA SE SABE

" La luna ignora que es tranquila y clara
y ni siquiera sabe que es la luna;
la arena, que es la arena. No habrá una
cosa que sepa que su forma es rara.

 Las piezas de marfil son tan ajenas
al abstracto ajedrez como la mano
que las rige. Quizá el destino humano
de breves dichas y de largas penas

 es instrumento de otro. Lo ignoramos;
darle nombre de Dios no nos ayuda.
Vanos también son el temor, la duda

 y la trunca plegaria que iniciamos.
 ¿Qué arco habrá arrojado esta saeta
que soy? ¿Qué cumbre puede ser la meta?"

in La Rosa Profunda, Jorge Luis Borges


VAI QUE EU TE ESPERO

VAI QUE EU TE ESPERO
Vai que eu te espero, mas não demore,
O tempo passa ligeiro, não espera.
O amor quando verdadeiro não morre
E por ser fiel é um sentimento que persevera.

Irás me encontrar, ainda que de cabelos brancos,
Acreditando que um dia voltarias para mim,
Guardo por nosso amor todo o meu encanto.

Amor não demore muito, o tempo urge,
A vida embora nos dê escolha, passa ligeira,
Como a alvorada que no horizonte surge. 
  

Dedicada a todos os que amam.

Acordai. Tema de novo exaltado. Depois de anos de sono profundo, após o perfume de uma anunciada democracia, a música de Fernando Lopes Graça com letra de José Gomes Ferreira volta a ser entoada. É tempo de subtrairmos o ruído imenso que vem de todos os lados - até de onde menos seria de esperar - e ouvirmos o que o nosso intelecto tem para nos dizer. Afinal o sonho da democracia não passou de uma utopia? 



Acordai

Acordai,
Homens que dormis
A embalar a dor
dos silêncios vis!
Vinde, no clamor
Das almas viris,
Arrancar a flor
Que dorme na raiz!
Acordai,
Raios e tufões
Que dormis no ar
E nas multidões!
Vinde incendiar
De astros e canções
As pedras e o mar,
O mundo e os corações!

Acordai!
Acendei,
De almas e de sóis
Este mar sem cais,
Nem luz de faróis!

E acordai, depois
Das lutas finais,
Os nossos heróis
Que dormem nos covais
Acordai!

Hoje (em dia), de relance


A jactância corruptiva
Locutiva e impositiva
O derrame materialista
Insensitivo e imperialista

O esvair inflamado
Do ser, desgraçado
O desaparecer desesperado
De quem morre desamparado

Acerca

Triste de quem vive com os olhos fechados sem a ambição e a coragem de os tentar abrir. A procura da verdade só é possível se formos capazes de nos libertarmos de preconceitos. Preconceitos que nos cegam e nos tornam incapacitados, limitados ao ponto de não conseguirmos repensar nas opiniões que outrora recebemos através da crença.